Quem sou

Rafael Pirondi

34 anosCasado há 12 anosTrês filhosCriador do Jogo da Alma

Passei os últimos quinze anos tentando responder uma pergunta que começou na infância e nunca me largou: por que as pessoas fazem o que fazem? Esta é a versão curta de como cheguei até aqui.

Parte 1 — Introdução

Qual é a verdadeira natureza do ser humano?

Para buscar essas respostas, estudei todo tipo de matéria que consegui alcançar — e vivi experiências que não estavam em livro nenhum. Se você é do tipo que sempre questionou a vida, e acredita que hoje temos mais perguntas do que respostas, provavelmente vai se reconhecer no que vem abaixo.

Parte 2

Onde tudo começou

A pergunta sobre quem eu sou e por que estou aqui começou muito cedo. Eu era uma criança diferente das outras, e isso me criou vários problemas — problemas que hoje eu entendo, mas que na época foram difíceis de aceitar.

Meu perfil era frio e analítico. Entre os 8 e os 11 anos estudei numa escola religiosa evangélica, onde estudávamos a Bíblia e fazíamos orações durante as aulas. De todos os alunos da minha sala, eu era o único que não entendia o que estava acontecendo ali. Sem ninguém nunca ter me ensinado nada sobre raciocínio lógico, eu já questionava quem era Deus e se ele de fato existia.

Quando me mandavam fechar os olhos para falar com Deus, eu perguntava: se ele é todo-poderoso e sabe tudo, por que eu preciso fechar os olhos para falar com ele? Meu professor dizia que, se eu falasse palavrão, seria castigado. Meu primeiro reflexo sempre foi testar as coisas para ver o que fazia sentido — e, para a minha surpresa, falar um palavrão não trouxe castigo nenhum.

Na sala de aula, um dos assuntos principais era futebol. Quando um time ganhava, sempre havia um grupo comemorando. Eu me perguntava: qual é o sentido de eu ficar feliz porque uma pessoa que eu não conheço ganhou alguma coisa? O que eles estão ganhando com isso? Eu era a única criança que não torcia nem discutia sobre times, mesmo gostando de futebol.

Por que eu preciso decorar uma informação que está no livro para colocar na prova, se vou esquecer essa mesma informação dias depois?

Qual é o sentido de fazer a prova sem o livro, se o que importa é saber onde está a informação e não a informação em si?

Se Deus criou o mundo, quem criou Deus?

Como eu sei que a religião do meu país ou da minha família é a correta, se do outro lado do mundo tem gente dizendo exatamente a mesma coisa?

Essa é uma parcela pequena dos meus questionamentos. Quando eu os expressava, era reprimido — e acabei me sentindo isolado, excluído dos demais. Foi nessa época que comecei a me perguntar: por que eu sou diferente dos outros? Quem sou eu?

Parte 3

A procura de respostas

Entre os 13 e os 14 anos, quando passei a ter mais acesso à internet, fui apresentado ao mundo da ciência. Pela primeira vez, mesmo que temporariamente, comecei a achar que existiam pessoas iguais a mim. Descobri que era ateu, ou agnóstico, e que muita gente concordava com o meu jeito de pensar. Eu não era apenas um louco — ou pelo menos não o único.

Nessa época comecei a estudar um pouco de tudo: religiões do mundo inteiro, psicologia, sociologia, astrologia, física, teorias de conspiração. Até me deparar com material sobre vegetarianismo. A primeira vez que vi um documentário sobre o assunto fiquei chocado por dias. E, como se não bastasse eu já ser uma pessoa difícil de conviver pelo lado lógico, sem religião e sem time de futebol, decidi também me tornar vegetariano — com o detalhe de que parte da minha família vinha de um histórico de fazendas e abatedouro de animais.

Não foi surpresa nenhuma que familiares e amigos não entendessem a decisão e fossem contra ela. Mas eu sempre tive uma personalidade forte: se alguém não me desse um argumento lógico que fizesse sentido, eu não mudava de opinião.

Eu vivia um romance com a ciência. Achava que existiam muitas pessoas pensando como eu pelo mundo, e já conseguia ler em inglês. Foi então que aceitei o desafio da minha mãe: eu só poderia parar de comer carne se o médico concordasse comigo.

Eu achava que cientistas eram pessoas como eu. Que um médico não só entenderia a minha decisão, como ficaria orgulhoso. Organizei os estudos mais atualizados que encontrei, reuni dezenas de atletas e pessoas conhecidas que eram vegetarianas havia anos, e fui para a consulta animado — imaginando que, mesmo que o médico tivesse um conhecimento desatualizado, ficaria feliz por um jovem levar até ele novas fontes. O que poderia dar errado?

A minha esperança sobre a humanidade morreu temporariamente naquela consulta. O médico apenas disse que precisamos de carne para sobreviver, e que eu morreria se me tornasse vegetariano. Tentei explicar que aquilo era uma informação atrasada, e pedi que ele olhasse as minhas fontes. Ele ignorou e disse que era bobagem.

E isso se repetiu não com um médico, mas com a maioria das pessoas com quem falei na época.

Por que estar certo é mais importante do que aprender algo novo?

Foi essa a pergunta que ficou. Por que uma pessoa formada numa área da ciência decide ignorar uma informação nova? Por que as pessoas parecem se importar mais com a própria reputação, com o dinheiro e com o diploma do que com aprender?

Esse foi o impulso que me levou a estudar tudo o que eu conseguisse alcançar sobre o ser humano — e, no fim, a criar a minha própria metodologia sobre quem nós somos e sobre como construir uma sociedade e um ser humano melhores.

O que veio depois

Quinze anos de estudo e de experiência viraram um método: sete necessidades humanas, sete frequências, e a ideia de que quase todo sofrimento evitável vem de duas coisas — viver uma vida incompatível com quem você é, e tentar preencher necessidades legítimas por estratégias que cobram caro depois.

Não é uma resposta final. É uma forma de fazer perguntas melhores, que é tudo o que eu queria quando tinha dez anos e ninguém respondia as minhas.

O método Quem você é? As sete frequências, os sete perfis e por que o que funciona para os outros pode não funcionar para você. O método O que é felicidade? As sete necessidades humanas e as duas estratégias possíveis para preencher cada uma delas.